JORNAL IMPACTO - 27-03-2020

(IMPACTO) #1
i+ IMPACTO
CADERNO II
IMPACTO Sexta-feira27 de março de 2020 WWW.IMPACTONOTICIAS.COM.BR/CORONAVIRUS 15

Adamantinenses relatam os


impactos do coronavírus pelo mundo


as orientações dos órgãos competentes.
Com saúde não se brinca.
Moramos há pouco mais de um
ano em Dungannon, no Reino Unido.

João Luiz Boschetti
Reino Unido
@boschettij

O primeiro-ministro Boris John-
son decretou nesta semana que está
proibido sair de casa, não podemos
sair de casa. Não podemos ter contato
com mais de duas pessoas, apenas
com aquelas que convivemos dentro
de casa. Só é autorizado sair para al-
guma atividade física, tipo caminhar,
uma vez ao dia, sendo sozinho ou

com alguém que mora com você.
Passivo de multa se desrespeitar a
determinação, e até detenção. As
regras são válidas por três semanas.
Lojas, restaurantes e pubs tam-
bém estão fechados até segunda
ordem.
O governo injetou 300 bilhões
de libras, seis vezes o valor do real,
para empréstimos as empresas. Por
exemplo, quem é registrado receberá
normalmente o salário, mesmo fican-
do em casa, sem o corte de salários.
Tem um site que você se inscreve
para ficar isento de pagar por três
meses o equivalente ao IPTU, aluguel
e gás. O governo está dando todo o su-
porte, o pessoal está mais com medo

do vírus, diferentemente do Brasil,
que fica com medo do desemprego,
da fome.
Então estamos nos preocupan-
do apenas para não pegar o vírus e
transmitir. Aqui a população é muito
respeitosa, segue as determinações,
hábitos de higiene.

Bruna Grespi Maião
Estados Unidos
@brunagmaiao

Todas escolas estão fechadas e
algumas pessoas comentam que
seguirão fechadas até o fim do ano
escolar, que é em junho. No domingo
retrasado fecharam os parques, e o

comércio também está fechado.
Fui caminhar, que ainda é permi-
tido, e tem muita gente na rua, princi-
palmente do grupo de risco. O pessoal
não está respeitando muito. Mas man-
tém um certo distanciamento.
Como a cidade de Montclair é
muito próxima de Nova Iorque,
parte da população trabalha lá, e
aderiu ao sistema home office desde
a semana passada. Há relatos como
a suspenção de parte do transporte
público e que policiais estão nas ruas
multando.
Aqui também está com toque de
recolher, às 20h, tudo está fechado,
funcionando apenas mercados, far-
mácias e lojas de bebidas.

Estou aqui como Au Pair, que
é um programa de intercâmbio de
trabalho mais estudo. Como as crian-
ças estão sem aulas, estamos em casa
quase o dia todo. Não podemos ir
em parques, que estão fechados, no
máximo podemos chegar é até a cal-
çada ou dar uma volta no quarteirão.
As universidades estão fechadas,
e preciso cumprir carga horária de
estudo estabelecida no programa, se
não a empresa não paga minha passa-
gem de volta ao Brasil. Também não
poderei renovar por mais um ano, se
desejar. Isso é o que mais me afeta e
me preocupa.
A empresa disponibilizou cursos
online, mas estou aqui para ter ex-
periência ao vivo, ter contato com
as pessoas, e não para fazer cursos
online. Viagens e cursos que estava
realizando também tiveram que ser
cancelados. É uma nova rotina, estou
me dedicando em cursos onlines
gratuitos, me exercitando em casa e
fazendo atividades diferentes com as
crianças.
Mas como estou apenas no se-
gundo mês de intercâmbio, tenho
esperança de que irei completar meu
curso e também realizar as viagens
que pretendo! Sei que cada período
difícil nos ensina algo valioso e que
Deus continue no controle de todas
as coisas, então sigo fazendo minha
parte e confiante!

Siméia Fernandes
Japão
@querodojapao

Moro em uma cidade do interior,
com grande número de idosos. O
que temos percebido é que a vida
continua normal. Houve sim uma
mudança nas fábricas, nos horários
de trabalho (não é nem tanto pela
pandemia e, mas, sim, porque expor-
ta para outros países que também
estão parados), e nas escolas. Aqui,
é um período que se inicia as férias
de primavera, então muitas pararam
devido a este momento, e não por
causa do coronavírus.
É claro que temos bastante medo.
O que o governo japonês passa na
televisão é bem diferente do que
acontece no mundo. Não sabemos
se realmente estão passando o que
ocorre no país ou se relatam o que
querem que assistimos e pensemos.
Então fica a dúvida.
Acabamos acompanhando pela
internet a realidade do Brasil, da Itá-
lia, de outros países, é bem diferente
do que estamos vivenciando aqui.
A única coisa que está faltando são
as máscaras. O restante está normal. As
pessoas estão trabalhando, você vai ao
shopping, aos mercados, estão todos
lotados. Como se tivesse tudo ok!
Mas, para gente, afetou, pois, te-
mos uma loja online de cosméticos,
que enviamos produtos para o Brasil
e outros países. Compramos muitos
produtos da Coreia do Sul, e as com-
pras estão demorando para chegar e
algumas foram até canceladas. Então
isso afeta no nosso orçamento, na
nossa credibilidade com o cliente.
O Brasil, local que mais enviamos
mercadorias, o pessoal parou de com-
prar. Até porque não sabem o que vai
acontecer.
No nosso cotidiano, não afetou
muito. Mas na nossa vida financeira
está afetando, pois parou tudo!
O governo pede sim para se cuidar,
se prevenir, mas aqui a população já
tem hábitos comuns de higiene, que
agora estão sendo difundidos pelo
mundo, por exemplo, não entrar com
sapatos dentro de casa e todo local tem
álcool em gel. Além disso, a população
já tem o hábito de usar máscaras.
Então a nossa maior angustia é
com os familiares que estão do outro
lado do mundo, aí no Brasil. Se em
uma situação normal já é difícil ir
para aí, de uma hora para outra, agora
ficou mais complicado!

Siméia Fernandes
Japão
@querodojapao

Caroline Fernanda
Carleto – Irlanda
@carol.carleto
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